Depressão

Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2019, foram diagnosticadas 223 milhões de pessoas com depressão, com previsão de ser a doença mais incapacitante do mundo.

Sintomas

Para o diagnóstico considera-se 2 sintomas principais: humor depressivo (tristeza) e perda de interesse.

Associados a eles podem estar presentes outros sintomas, como:

  • alteração de peso e de apetite (tanto no excesso como na falta)
  • distúrbio de sono (despertar matinal precoce)
  • lentidão ou agitação psicomotora
  • cansaço e falta de energia
  • sensação de mal-estar
  • falta de concentração
  • diminuição da auto confiança e autoestima
  • perda da libido
  • pensamentos recorrentes de suicídio ou de morte.

Da mesma forma os pensamentos sofrem interferência do estado depressivo e são associados a:

  • culpa excessiva pelas coisas que dão errado (até na vida das pessoas próximas)
  • pessimismo: generalizam e amplificam as questões negativas, colocando-as como impossíveis de serem mudadas ou até melhorar (nem que seja um pouquinho!)
  • inutilidade: “não sirvo para nada”, “não faço diferença na vida das pessoas”, “se eu morresse ninguém sentiria minha falta”

É importante fazer uma investigação clínica abrangente pois os sintomas de depressão podem acompanhar alguns distúrbios físicos como por exemplo: disfunções de tiroide (hipotireoidismo), tumor cerebral, esclerose múltipla, AVC, entre outros.

Como surge?

A depressão pode ser hereditária, decorrente de alterações nos níveis de neurotransmissores ou da função neuroendócrina, ou ainda, reativa a algum evento ou situação (separação, luto, desemprego, diagnóstico grave).

Há vários tipos de depressão, pode ocorrer como um Episódio específico (com intensidade que pode variar de leve à grave, e ser acompanhada de sintomas psicóticos), ser associada ao quadro de Ansiedade, pode ser de longa duração (Depressão Maior ou Transtorno Depressivo Persistente), em episódios esporádicos (Transtorno Depressivo Recorrente), Transtorno Disfórico Pré-Menstrual, Depressão por uso de medicamento e Depressão associada a outra questão médica.

Tratamento

Um cuidado multidisciplinar composto por:

  • Psicólogo,
  • Psiquiatra,
  • Nutricionista: o equilíbrio de nutrientes e diminuição dos processos inflamatórios através da alimentação saudável a serotonina é também produzida nos intestinos.
  • Atividade física (melhora a produção de neurotransmissores que atuam sobre o humor), formam uma estrutura de tratamentos que colaboram para a melhora do quadro depressivo.

A decisão sobre o uso do medicamento é do Psiquiatra, e claro, do paciente.

Ainda há medo da dependência dos medicamentos, e com isso, as pessoas evitam procurar um Psiquiatra. Houve evolução na medicação antidepressiva e com o suporte de um bom psiquiatra, que trabalhe direitinho ao lado do paciente, com escuta atenta, ajustando a medicação, não há o que temer.

O medicamento atuará sobre os sintomas, mas além disso é fundamental associar à Psicoterapia para que seja feita uma reflexão sobre o que a depressão está trazendo à tona. Como disse uma cliente nesta semana: “a depressão veio mostrar, que eu estava indo contra minha alma”.

É importante saber que nos casos crônicos ou em depressões mais graves os tratamentos são mais longos, mas compensam, pois há melhora significativa da qualidade de vida. Não desista!

Características de temperamento

Algumas das características do temperamento depressivo são:

  • vontade baixa (dificuldade em manter a constância e persistência),
  • inibição (em relação à iniciativa, atitude, exposição, busca do novo) e sensibilidade altas (frustração, raiva, mágoa, interpretação emocional dos eventos em primeiro lugar),
  • geralmente são pessoas introspectivas (ficam mais no próprio mundo interno),
  • dificuldade em estabelecer relacionamentos afetivos,
  • pessoas mais cordatas e dedicadas aos outros.

Além disso o que pode gerar mais “confusão” interna, normalmente o referencial é o “outro”, pensam e se preocupam em agradá-lo ou NÃO desagradar e esquecem de olhar para si mesmo.

Isso dificulta muito o estabelecimento de uma auto estima estável, e retroalimenta o ciclo de impotência que permeia a depressão.

Observe que estas características não são um atestado final! Através do amadurecimento, muita coisa muda (principalmente quando há o olhar para o sofrimento e a busca pela mudança), mas se isso for difícil de fazer sozinho, o processo psicoterápico irá auxiliar.

É importante também a compreensão de como estas características podem ser exploradas, as características de sensibilidade e profundidade diante da vida, faz bons escritores, artistas, fotógrafos, pessoas que acessam a dor da alma humana.

Um bom trabalho a ser feito. Um trabalho de vida.

 

Foto: Keenan Constance no Pexels

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